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29 de out. de 2010

Como fazer uma cultura de vermes-do-vinagre

Verme de vinagre é um nematóide aquático extremamente minúsculo, na verdade é uma lombriga, não um verme.
Eles aparecem naturalmente em barris de vinagre e são um excelente alimento para alevinos de quase todas espécies de peixe de aquário. As vantagens deles sobre os microvermes é que eles são ligeiramente menores e eles sobrevivem mais muito tempo no aquário. A desvantagem deles é a maior dificuldade para os colher.
Para começar uma cultura de vermes de vinagre vc precisará:
  • 1 recipiente ou garrafa Vinagre de Sidra

  • 1 pedaço pequeno de maçã

  • 1 cobertura de pano para o recipiente, ou uma rolha para uma garrafa

  • 1 cultura mãe (inóculo)
Para começar uma cultura, dilua seu vinagre de sidra (1 parte de vinagre para 3 de água), some uma fatia pequena de maçã fresca, some o inóculo e ponha tudo disto em uma garrafa limpa ou jarro. Cubra o jarro com uma cobertura de pano, uma rolha ou até mesmo uma toalha de papel. Não use tampas de metal para não matar a cultura. Armazene esta cultura em um lugar escuro e espere um par de semanas.
Você poderia usar uma lupa e ver milhões de vermes de vinagre que nadam pelo jarro. Tudo que você precisa fazer agora é de vez em quando olhar à cultura para ter certeza que está crescendo. Se você notar uma grande produção, você pode somar um pouco vinagre, um pedaço pequeno de maçã ou possivelmente até mesmo começar um subcultura.
Colhendo
Colher os vermes normalmente usa-se uma mangueira para sorver uma porção da cultura e esguichar sobre um filtro de café que é colocado em cima de uma xícara ou jarro pequeno. Economize a drenagem para devolver à cultura pois provavelmente contém muitos filhotes dos vermes.
Depois de escoar a mistura de vinagre enxague o filtro algumas vezes com água limpa, para evitar qualquer resíduo de vinagre. Quando a drenagem estiver terminada que você pode inverter o filtro em um recipiente pequeno com água e soltar os vermes que você poderá capturar um conta-gotas e servir aos seus alevinos.
Um método de colher novo foi postado recentemente em killietalk. Verta uma porção de sua cultura de vinagre em uma garrafa de pescoço longo. Encha até o ponto onde começa o pescoço. Coloque então água fresca completando o nível da garrafa, algumas horas depois muitos vermes terão migrado do fio de vinagre para o de água e podem ser colhidos facilmente. O vinagre permanece separado da água, assim você não tem que preocupar em entrar vinagre em seus tanques de alevinos. Depois vc só põe de volta mistura na cultura principal. Isso soa muito mais simples.



Como manter uma cultura de enquitréias

Também como o microverme, a cultura de enquitréia (macroverme) é muito fácil de se manter.
Deixe água o suficiente para quando você inclinar a caixinha 45º, você enxergar o pouquinho de água no fundo da caixa.
Sempre coloque aveia média, em cima do carvão e abaixo do vidrinho, nunca deixe faltar, pois é o alimento das enquitréias. Mas o segredo é não colocar muita água, pois se você fizer isso, afogará as enquitréias e a cultura cheirará mal. Manter sempre úmido, mas não encharcado.
De dois em dois dias, colocar um porção de aveia. Se colocar demais, vai apodrecer e o cheiro vai ficar mais forte, mas ainda assim, será assimilada pelos vermes.
O vidro serve simplesmente para fazer aderir os vermes para facilitar o manuseio. Caso coloque mais alimento do que o necessário, não dar mais até desaparecer completamente a aveia.
Como suplemento alimentar, a enquitréia vem enriquecer o cardápio que todo criador de peixes em aquário deve ter para uma melhor performance de seus peixes.


Daphnias para Guppies e Bettas


Uma grande parte das pessoas que cria em aquários Guppies e Bettas, deixam de incluir no cardápio diário a daphnia, que é um alimento vivo bastante apreciado por estes dois peixes.
Como os ovos de artemia (cistos) estão com um preço elevado, torna-se difícil a sua inclusão na alimentação. Como opção ou medida alternativa, achamos perfeitamente válida a utilização de daphnias. Se bem que, onde há daphnias há também rotíferos e cyclops na mesma cultura.
Mas como criar dáfnias?
Tão simples como eclodir náuplios de artêmias e fazer uma cultura de microvermes e de enquitréias; senão vejamos :
Em um aquário qualquer ou recipiente de plástico, encher de água e deixar sob o sol até a água ficar esverdeada (formação de fitoplâncton). Após colocar folhas secas de alface e pequena quantidade de esterco de galinha com terra preta em partes iguais, alguns dias após a água tornar-se-á algo de aparência não muito agradável a olho nu, contudo muito rica em nutrientes, que é o que realmente nos interessa.
Aí então introduz-se uma pequena colônia de daphnias adquirida em criadores de grande escala (criação em tanques que é o nosso caso). No dia seguinte nota-se perfeitamente a proliferação das daphnias, bem como rotíferos e cyclops.
Para a manutenção dessa cultura, deve-se coloca, uma vez por semana, uma pequena quantidade de sangue de galinha. Também pode ser colocada farinha de peixe, leite em pó desnatado, levedura de cerveja, comprimidos de vitamina B, açúcar e flocos cozidos de aveia.
Não há necessidade de se introduzir todos estes produtos ao mesmo tempo, porém, são alternativos de acordo com a disponibilidade de cada criador.
O resultado é surpeendente, apesar de acharmos que o sangue de galinha batido no liqüidificador é o grande responsável para uma boa produção de daphnias, juntamente com as folhas secas de alface.
Uma vez conseguida a reprodução das daphnias, a manutenção reside apenas em alimentá-las cada semana ou quinzena, dependendo do tamanho do recipiente, com qualquer das opções acima mencionadas.
A água deve estar com pH em torno de 7.2 e com aeração, uma vez que elas consomem muito oxigênio.
Coleta-se com um puçá de malha fina e lava-se em água corrente antes de dar aos peixes em quantidade suficiente para consumo imediato.
O Guppy e o Betta são, em princípio, reflexos da qualidade de alimentos que recebem; são também e, principalmente, carga genética, além de outros fatores.

Patê de Gordon: O super alimento


O nome do patê se deve em homenagem ao biólogo americano Myron Gordon, que foi Chefe do Laboratório de Genética do Aquário de Nova Yorque, responsável pela alimentação dos peixes tropicais e de águas frias.
Ele ficou conhecido no mundo inteiro, por volta de 1930, pela sua formulação completa e hoje, com a tecnologia moderna, cada pessoa elabora a sua própria fórmula, mas mantém o principio ativo e a diversificação de componentes, devidamente balanceada em relação a proteína, carbohidrato, vitaminas e sais minerais.
A minha fórmula foi preparada por uma Nutricionista e uma Bióloga, ambas aquaristas, com objetivo de fornecer um alimento completo e consistente para os peixes de um modo geral, obedecendo percentuais de cada componente.
Vamos apresentar a nossa fórmula de maneira genérica para que todos possam tentar fazer em casa:
  • 100 gramas de coração do boi

  • 100 gramas de fígado de boi

  • 100 gramas de fígado de galinha
Limpe bem , tirando as partes gordurosas, cortando em pequenos pedaços e coloque para cozinhar durante 15 minutos. Em seguida, liquidifique bem e passe tudo por um peneira para só aproveitar o creme . Coloque tudo num panelão.
Agora, cozinhe por 10 minutos:
  • 3 cenouras

  • 3 batatas

  • 10 folhas de espinafre
Liquidifique tudo e coloque no panelão.
Adicione no panelão:
  • 2 colheres de sopa bem cheia de Farinha de Salmão

  • 2 colheres de sopa de Farinha de Minhoca

  • 2 colheres de sopa de Farinha de Víceras

  • 2 colheres de sopa de Farinha de Penas

  • 2 colheres de sopa de Ração Balanceada

  • 1 colher de café de açúcar

  • 1 colher de sal

  • 2 ovos (só a gema e a clara)

  • 3 colheres de sobremesa de Gelatina em pó sem sabor e incolor
Mexa muito bem tudo que estiver dentro desse panelão. Quando ficar muito bem mexido, tudo por igual, coloque em vários potinhos e guarde-os no freezer de sua geladeira.
E assim está uma fórmula pronta de patê!!
Se desejar pode acrescentar muito mais elementos sem problema algum.
Não é necessário seguir à risca essa fórmula, podendo ser modificada de acordo com o critério de cada um, mas aqui está o básico para um bom patê.
Fornecemos em três opções de patês à base de: Espinafre, Cenoura e Beterraba.

Patês especiais


Fórmula 1:
  • 1,5 Kg de coração de boi
  • 1,5 Kg de fígado de boi
  • 4 ovos crus
  • 170 gr de espinafre
  • 170 gr de ervilhas
  • 170 gr de cenouras
  • 115 gr de farelo de trigo
  • 24 gotas de algum complexo vitamínico
  • 4 envelopes de gelatina sem sabor
Fórmula 2
  • 2 Kg de coração de boi
  • 2 Kg de fígado de boi
  • 1 Kg de flocos de cereais Neston
  • 1 Kg de farinha de germen de trigo
  • 30 gr de ervilhas secas partidas (a que se usa para fazer sopa)
  • 60 gr de espinafre
  • 4 ovos crus
  • 225 gr de camarões inteiros mas sem cabeças
  • 115 gr de levedura de cerveja.
Preparação:
Limpe o coração e o fígado, retirando o excesso de gordura e nervos. Usar um processador de alimentos para picar a carne em pedaços muito pequenos.
Misture o resto dos ingredientes (exceto a gelatina da fórmula 1) no processador. Nesta fórmula a gelatina atua como um espessante que mantém a mistura como uma pasta. Misturar a gelatina em um recipiente com um pouco de água quente, o suficiente para dissolvê-la, deixar esfriar ligeiramente, porém a mistura deve permanecer líquida. Misturar com os outros ingredientes.
Coloque a mistura em sacos plásticos com fecho tipo zíper e pressione até deixar plana. A pasta deve permanecer refrigerada ou congelada se vai conservá-la por longo tempo.
A fórmula 2 requer que a mistura seja cozida até que se torne ligeiramente granular.
Coloque a mistura em sacos plásticos com fecho tipo zíper e pressione até deixar plana.
A pasta deve permanecer refrigerada ou congelada se vai conservá-la por longo tempo.
Variações:
Variações destas fórmulas podem ser tentadas para ajustar-se às necessidades nutricionais de peixes específicos e de acordo com os ingredientes disponíveis. O único componente comum é proteína de alta qualidade.
Outros ingredientes como espirulina, podem ser acrescentados a 0,5% ou 1% em peso.
Para peixes herbívoros, a carne de pescado ou carne vermelha podem ser reduzidos e substituídos por proteína vegetal como farinha de soja.
Antes de fazer a pasta, seria prudente consultar a literatura para determinar a dieta natural do peixe.
Outra receita (Acará Disco):
Procure ingredientes o mais frescos possíveis.
Os pesos são dados para os produtos em estado bruto e aproximados. Uma vez limpos e preparados pesarão menos:
  • 500 gr de coração de boi
  • 400 gr de fígado e coração de frango
  • 1 Kg de mexilhões
  • 500 gr de merluza (ou outro peixe pouco gorduroso) - pode ser omitida
  • 250 gr de camarões inteiros mas sem cabeças
  • 500 gr de espinafre
  • 3 cenouras médias (salientam as cores)
  • 1 gema de ovo
  • 2 dentes de alho (muito importante, é vermífugo)
  • 4 pílulas de complexo vitamínico Fharmaton (vitaminas e minerais)
Preparação:
Limpe o coração e o fígado, retirando o excesso de gordura e nervos. Coloque os mexilhões em uma panela com pouquíssima água e leve ao fogo baixo. Quando as conchas se abrirem retire os mexilhões e jogue as cascas fora. Retire a pele e os espinhos da merluza e descasque o alho. Triture bem todos os ingredientes em um processador de alimentos, deixando com consistência de pasta de dentes.
Leve a mistura ao banho maria durante 10 minutos para que fique mais consistente. Coloque um pouco do patê sobre uma folha de alumínio, enrole (deixe com o formato de um salame fino) e congele.
A pasta deve permanecer refrigerada ou congelada se vai conservá-la por longo tempo.
Uso:
Descongele a quantidade necessária para alimentar os peixes diariamente. Não congele novamente uma vez descongelado.
Congelado, dura aproximadamente 2 meses, dependendo do congelador que tivermos, no freezer, chega a 6 meses.
Temos que ser muito cuidadosos na hora de alimentar nossos peixes. Não devem ficar restos no aquário, que se decomporiam rapidamente causando problemas. Alimentar 4 vezes por dia, usando uma pequena quantidade.

27 de out. de 2010

Artêmia Salina

Artêmias, congeladas ou hidratadas, são alimentos imprescindíveis para qualquer tipo de peixe, pelo seu alto valor protêico que é de 62,8 %.

Elas são capturadas vivas, limpas em água corrente e uma parte é congelada imediatamente (artêmia congelada) e outra parte é colocada em salmoura (artêmia hidratada), mantendo todas as suas características.

Durante todos os meses do ano proliferam 13 tipos de algas, ocasionando cores diferentes nas artêmias, tais como: vermelhas, marrons, rosadas, brancas e até quase pretas.

Mas todas, independente da coloração, tem a mesma composição de 62,8 % de proteína, 6,8% de óleo e 30% de água.

Artêmia congelada, acondicionada no congelador, dura anos e anos, sem alterar absolutamente a sua composição, já a artêmia hidratada não poderá ser guardada na geladeira, apenas em ambiente natural, mesmo depois de aberta.

Os peixes vivem melhor com um cardápio bem variado de alimentos.

O GÊNERO ARTÊMIA

Composto de minúsculos camarões marinhos, constituem uma das formas mais primitivas de vida dos crustáceos.

Eles são conhecidos como "camarão de salmoura" ou "brine shrimp"; estes animais de pés em forma de chapa (phyllopoda) não possuem barbatanas como os peixes, mas em compensação possuem muitas pernas com as quais se locomovem na água.

A utilização deste rico alimento apresenta as seguintes vantagens sobre os outros disponíveis no mercado:

São marinhos, imunes e isentos de parasitas ou outros organismos de água doce, não trazendo qualquer perigo ou risco de doenças aos alevinos;

São minúsculos, não comprometendo o oxigênio existente na água do aquário;

São fáceis de eclodir, bastando que a água esteja alcalina, com densidade entre 1023/1025 e contenha boa quantidade de sal marinho, uma ou duas colheres de sopa - dependendo do volume do recipiente;

Sua coleta é fácil: após 24 ou 36 horas, dependendo da temperatura (calor ou frio) e do tipo do cisto, a coleta é feita através de uma peneira de malha bastante fina;

Os cistos duram, em local fresco e seco, por mais de 10 anos sem perder a sua fertilidade.

ARTEMIA SP

É um crustáceo branquiópode, encontrando-se em todos os continentes, em salinas ou lagos salgados, acima de 70o/oo onde os predadores não sobrevivem, sendo relativamente fácil, antes da época das chuvas, encontrar os seus ovos junto à margem, arrastados pelo vento.

Estes ovos, com cerca de 200-300µm de diâmetro, são cistos em diapausa, como forma de adaptação a condições ambientais adversas (como a temperatura e a salinidade) e que após rehidratação dão origem a novos animais. A dimensão de Artemia sp. varia entre ±0,45mm (náuplio) a 1,5 cm (adulto).

Alguns autores continuem a considerar apenas a designação Artemia sp. devido à dificuldade de uma correta identificação, atualmente consideram-se já algumas espécies como Artemia franciscana, Artemia persimilis, Artemia sinica e Artemia salina (= A.tunisiana).

Quanto à reprodução Artemia sp. pode ser , com machos e fêmeas em igual proporção, ou pode ser partenogenética.

A alteração do seu comportamento reprodutor surge como resposta a condições adversas do meio (ex: secas, temperaturas extremas, salinidade muito elevada, escassez de alimento). Em ambos os casos as fêmeas poderão produzir dois tipos de ovos, em função de adaptação a condições ambientais:

aqueles cujo desenvolvimento embrionário se desenrola dentro do útero da fêmea, nascendo diretamente sob a forma de náuplios livres (ovoviviparidade);

os que ao chegarem ao estádio de gástrula incipiente, dentro do útero da fêmea, param o seu desenvolvimento, são cobertos por um córion resistente procedente das glândulas da casca e libertados sob a forma de cistos (oviparidade). Este comportamento está perfeitamente determinado, independentemente da espécie ou estirpe e quaisquer que sejam as condições ambientais.

O córion ou casca é de natureza lipoproteica impregnada de quitina e de hematina. Esta tem um papel importante na manutenção da estrutura e proteção contra as radiações ultra-violeta.

A concentração em hematina determina a côr do córion, mais ou menos escura.

Os cistos são gástrulas em diapausa ou criptobiose como forma de assegurarem a sobrevivência da espécie resistindo às condições desfavoráveis do meio.

Artemia sp. é um alimento ideal para peixes e crustáceos que possam ingerir presas de dimensão superior a 0,5mm. A sua utilização em aquacultura e aquariofilia deve-se a vários fatores:

disponibilidade de cistos. Os cistos são embriões, na fase de gástrula em estado de diapausa ou criptobiose, podendo ser conservados por longos períodos e que eclodem, ao fim de 24/36 horas, quando são introduzidos em água, em condições ambientais adequadas. Ao eclodirem dão origem a náuplios;

facilidade de cultura em grandes concentrações, ± 250 náuplios por mililitro, e crescimento rápido, de ± 450µm a 1,5 cm em 15 dias (25°C). O seu crescimento e facilidade de manipulação permite a sua utilização em diversas fases dos cultivos larvares de acordo com a dimensão da larva, uma vez que presas de maiores dimensões diminuem o esforço de captura por parte das larvas e são necessárias em menor número;

possibilidade de modificação do seu perfil nutritivo com a bioencapsulação com produtos adequados (ricos em ácidos gordos poli-insaturados, vitaminas, etc.);

possibilidade de servirem como veículo de transporte de substâncias para as larvas (ex. antibióticos).

Existem no mercado cistos de diversas estirpes de Artêmia sp. de diferentes proveniências, com diferentes dimensões e diferente composição em ácidos gordos poli-insaturados (HUFA) que, são de extrema importância para as larvas de peixes marinhos, como fonte de energia e como constituintes dos fosfolípidos das membranas celulares.

A conservação dos cistos deverá ser feita de modo a que permaneçam secos (desidratados), de preferência em vácuo, e a baixas temperaturas.

Podem mesmo ser congelados mas deverão estar uma semana à temperatura ambiente antes de serem postos a eclodir.

OBTENÇÃO DE NÁUPLIOS

Os cistos têm uma forma bi-concava e vão aumentar de volume ficando com a forma esférica ao fim de 1 a 2 horas após a inclusão em água. Quando o embrião está completamente desenvolvido, o córion rompe-se como resultado da acumulação de glicerol.

A rotura da casca (córion) dá-se ao fim de 12 a 20 horas de hidratação, este período de tempo depende da estirpe e da temperatura de incubação, e o embrião rodeado por uma membrana embrionária transparente emerge lentamente e fica visível.

O náuplio inicia uma série de movimentos, rompe a membrana e liberta-se para o exterior. Quando o córion se rompe estamos na fase de pré-emergência e, quando o náuplio emerge rodeado pela membrana embrionária estamos na fase de "umbrella" ou pré-náuplio.

Após o rompimento desta membrana, o náuplio encontra-se na fase instar I: possui 450-475 µm de comprimento, a sua cor é alaranjada devido às reservas vitelinas que possui e nada através do batimento das antenas. Na fase instar II, após a 1ª muda, o náuplio possui entre 600-650 µm de comprimento e é mais translúcido. Após a 2ª muda, estamos em instar III, metanáuplio, possuindo o náuplio entre 700-800 µm, as reservas vitelinas estão praticamente esgotadas.

Os náuplios em instar I possuem muito mais reservas lipídicas, que vão decrescendo para os estádios mais avançados, pelo que deverão ser utilizados como alimento nesta fase. À temperaturas de 26-28 ºC, a passagem de instar I a instar II, dá-se em cerca de oito horas. Nesta fase, inicia a alimentação exógena composta por microalgas, bactérias e pequenas partículas variadas (1-50 µm). Os cistos podem ser descapsulados (remoção do córion através da dissolução em hipoclorito de sódio) ou postos a eclodir diretamente em água doce, salobra ou salgada, de acordo com a preferência da estirpe utilizada, em tanques com a forma cilidrico-cónica, transparentes ou translúcidos. Ambos os métodos podem ser utilizados de acordo com as infra-estruturas presentes.

A incubação dos cistos é uma fase importante de modo a assegurar uma máxima taxa de eclosão. Esta deverá ser feita do sob as seguintes condições:

temperatura entre 25-30 ºC;

luz intensa, mínimo de 1000 lux, durante todo o processo (24h-28h), ou no mínimo nas primeiras horas após a total hidratação dos cistos. A luz, nas primeiras 4 a 5 horas é de extrema importância porque os cistos são sensíveis à luz que estimula o reinício do metabolismo e os primeiros estádios da eclosão;

salinidade 20 a 35o/oo. No entanto, de acordo com a espécie poderá situar-se entre 15 e 70o/oo, e com certas estirpes obtêm-se melhores resultados com valores inferiores, que podem atingir 5o/oo.

pH 8 ou acima deste valor, pode ser corrigido com (CO3Na2 ou NaHCO3 - até 1g/l), principalmente em grandes densidades de incubação). Os metabolitos da eclosão fazem baixar o pH, o que pode levar à diminuição das taxas de eclosão (20-25%).

arejamento contínuo e forte, sem difusor, de forma a manter os cistos em suspensão e o O2 dissolvido acima de 5 mg/l, (mínimo 2mg/l).